quarta-feira, 4 de novembro de 2009

resenha Guia da Folha (Livros, Discos, Filmes) 30/10

por Reynaldo Damázio


A cidade é descrita pelo narrador deste pri­meiro romance do escritor e jornalista Bru­no Zeni como "bela e podre". Essa contradi­ção percorre todo o livro e se reflete na pró­pria dicotomia de focos narrativos, entre o jo­vem Roma -que tem a mesma profissão do autor- e o mora­dor de rua Amaro. Lados da mesma moeda, irmanados para além do anagrama dos nomes, ambos carregam sua amar­gura por ruas que se tornaram avessas ao convívio humano, numa metrópole marcada pelo acúmulo desordenado de veí­culos e pela especulação imobiliária predatória.

Encontrar alguma beleza na cidade degradada pode parecer uma opção idealista, resvalando às vezes para uma leitura ro­mântica da periferia, como na figura do personagem Kleber, mas que logo se depara com a realidade brutal de solidão e de aban­dono, da falta de perspectivas e da monotonia do cotidiano.

Roma se sente como um estrangeiro no labirinto de aveni­das que tenta decifrar, mas acaba devorado por um trauma pessoal que o coloca à beira do abismo. O peso do concreto petrifica, aos poucos, qualquer esperança de redenção. Resta o delírio de um gesto coletivo extremo, anárquico, que mergu­lharia a cidade no pesadelo de suas próprias contradições.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nota sobre o lançamento no Estadão

O jornal O Estado de S. Paulo noticiou, no "Caderno 2", o lançamento do livro:


Matéria do Vírgula

O site Vírgula fez uma pequena matéria sobre o livro no dia do lançamento em São Paulo. Publicaram até um dos meus autorretratos com figuras urbanas.











Autorretrato com cerca elétrica e prédio em construção

Resenha na "Ilustrada", da Folha, em 17/10

RODAPÉ LITERÁRIO
Roma em Pompeia


Romance de estreia de Bruno Zeni projeta narrativas paralelas sobre ruínas da cidade moderna


MANUEL DA COSTA PINTO
COLUNISTA DA FOLHA

PRIMEIRO ROMANCE de Bruno Zeni, "Corpo a Corpo com o Concreto", dá fôlego narrativo a um projeto literário iniciado com "O Fluxo Silencioso das Máquinas" -livro fragmentário, composto por cenas descontínuas da solidão urbana, vazadas numa escrita próxima ao poema em prosa.
A expressão "projeto literário" se aplica não apenas pelo fato de o livro ter sido escrito com apoio do Programa Petrobras Cultural mas sobretudo porque "Corpo a Corpo com o Concreto" é uma imagem em negativo do projeto mais amplo da cidade moderna, do espaço de convívio que uma cidade como São Paulo reiteradamente nega.
Romário Ribeiro, o Roma, é um jornalista de 25 anos que remói impasses amorosos e zanza pela cidade destilando pensamentos anotados num "bloco de apontamentos criminosos". Paralelamente, em capítulos intercalados, há outra voz narrativa, de um morador de rua que se define como um "Eu cão-imundo", como "Eu não-homem", fluxo silencioso de quem encontrou "a vida em paz no intervalo", para além das máquinas de triturar experiências.
Os dois enredos desenham uma cartografia de utopias e ruínas. Roma mora na Pompeia, região paulistana contígua ao "bairro boêmio e esclarecido" da Vila Madalena, mas trabalha na opulenta Vila Olímpia, cujos edifícios pós-modernos descreve como "palafitas de tecnologia avançada".
Todo o romance é atravessado por uma idealização da vida suburbana, pela nostalgia de uma sociabilidade perdida, mas que sobrevive em "planos de revolução conspirada entre sinucas e escadarias e pichações de Pinheiros". Até os nomes das personagens -Sheila (entregadora de prospectos imobiliários no farol), Joseane (DJ tatuada que "namora umas minas também") e Suellen (amor do protagonista com alcunha de futebolista)- indicam esse sonho bem brasileiro de uma modernidade torta, provinciana e acolhedora.
Consciente da impotência dos arroubos melodramáticos de seu narrador, Zeni compõe na outra narrativa, do mendigo Amaro abraçado a seu rancor, uma nada acolhedora antiutopia de retorno ao "útero negro e longo da noite". O estranhamento provocado desde o início pelo áspero existencialismo do morador de rua indica o desfecho traumático, no qual as ingênuas invectivas de Roma contra o mundo administrado se fundem com a autocombustão de Amaro -culminando no plano delirante de uma conflagração que restaure "o peso e a presença dos que não têm nada".
É como se, para o autor desse livro cuja escrita delicada guarda significados ocultos (como no pseudoanagrama que irmana os protagonistas), fosse necessário carbonizar Roma para reconstruir Pompeia.


CORPO A CORPO COM O CONCRETO

Autor: Bruno Zeni
Editora: Azougue
Quanto: R$ 38 (136 págs.)
Avaliação: bom

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Santa Madalena e os convidados em São Paulo











noite de autógrafos

Algumas fotos da noite. O lançamento avançou até quase duas da manhã.

Amigos.







Felicidade conjugal.

o lançamento


Foi na terça, 27 de outubro de 2009. O Santa Madalena ficou bem cheio, com clima de muita felicidade. Meu pai veio de Curitiba especialmente para o evento. Sentou debaixo do retrato de um parente e ao lado do meu sogro, o Nuncio. Silvia ficou ao meu lado, mas achou tempo e lugar para conversar com mais gente. Amigos que não via há muito tempo, como a Juliana. Outros que não via há pouco e muito queridos, como a Gabriella, a Fernanda e o Danilo. Também alguns colegas "intramuros", como disse o Guedes. Amigos de tranca, retruquei. Mestres das letras e das línguas e alunas de Campinas me prestigiaram. Obrigado a Sérgio e Lúcia, do Santa, e a todos que foram. Algumas fotos vão aqui, para dar ideia da tertúlia. Autografei bastante. E a venda de livros girou em torno de 60 exemplares. Até o Andrés autografou.

O autor

Bruno Zeni
São Paulo, SP, Brazil
Jornalista, mestre em Teoria Literária e doutorando em Letras na USP. Trabalhou na Folha, na CULT e na Mente&Cérebro. É professor de jornalismo na Facamp e trabalha como free-lancer para editoras como Companhia das Letras, Publifolha, Scipione, Edições SM. Foi coordenador editorial da FLIP 2009.
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