"Corpo a corpo com o concreto" foi lançado em 2009, em volume da Azougue Editorial. Além notícias e informações sobre o romance, o blog traz sobre o escritor Bruno Zeni, autor do livro.
Fomos notícia na "Gazeta do Povo", o maior jornal do Paraná. Página inteira no caderno G, que é o caderno de cultura deles. Saiu na segunda-feira de Carnaval. Como passei a folia na Pauliceia, ainda não vi a edição impressa, mas li a matéria na rede. O repórter Marcio Renato dos Santos fez uma espécie de perfil atual do autor, acompanhado de resenha. E as imagens que consegui salvar no meu computer vão aqui:
Autor: O paranaense Bruno Zeni nasceu em Curitiba, em 1975. Publicou também O Fluxo Silencioso das Máquinas e Sobrevivente André du Rap (em co-autoria com José André de Araújo).
Tema: Em São Paulo, as histórias paralelas de dois personagens-narradores que se entrecruzam. O primeiro é um morador de rua que vagueia pela cidade e reflete sobre seu drama. O segundo é um jornalista de 25 anos em crise profissional e psicológica.
Por que ler: Pela maneira como o autor estabelece a relação de seus protagonistas com uma metrópole. Guardadas as diferenças sociais entre eles, cada um lida com sua impotência diante de São Paulo.
As fotos foram feitas por um telefone celular. Estão com resolução baixa, mas são bem simpáticas. Meu livro exposto na livraria do Espaço Unibando da Augusta. Fui lá conferir, antes de pegar um filme, o espetacular "Ervas Daninhas", do Resnais. As fotos são da Débora Aoni.
A cidade é descrita pelo narrador deste primeiro romance do escritor e jornalista Bruno Zeni como "bela e podre". Essa contradição percorre todo o livro e se reflete na própria dicotomia de focos narrativos, entre o jovem Roma -que tem a mesma profissão do autor- e o morador de rua Amaro. Lados da mesma moeda, irmanados para além do anagrama dos nomes, ambos carregam sua amargura por ruas que se tornaram avessas ao convívio humano, numa metrópole marcada pelo acúmulo desordenado de veículos e pela especulação imobiliária predatória.
Encontrar alguma beleza na cidade degradada pode parecer uma opção idealista, resvalando às vezes para uma leitura romântica da periferia, como na figura do personagem Kleber, mas que logo se depara com a realidade brutal de solidão e de abandono, da falta de perspectivas e da monotonia do cotidiano.
Roma se sente como um estrangeiro no labirinto de avenidas que tenta decifrar, mas acaba devorado por um trauma pessoal que o coloca à beira do abismo. O peso do concreto petrifica, aos poucos, qualquer esperança de redenção. Resta o delírio de um gesto coletivo extremo, anárquico, que mergulharia a cidade no pesadelo de suas próprias contradições.
Escritor e doutor em Letras pela USP. Livros: "O fluxo silencioso das máquinas" (Ateliê Editorial, 2002), "Sobrevivente André du Rap "(Labortexto Editorial, 2002, em parceria com José André de Araújo) e "Corpo a corpo com o concreto" (Azougue Editorial, 2009).
"Corpo a corpo com o concreto" (capa de Bel Falleiros, a patir de ilustrações de Andrés Sandoval) é constituído de duas histórias: a de um morador de rua anônimo, que vaga pela cidade imerso em pensamentos fraturados; e a de Romário Ribeiro, o Roma, que passa por um período de grande instabilidade profissional, familiar e amorosa